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  • Foto do escritorAna Wey

Vida de Expatriado


Nasci e cresci em berço cristão, em que as crenças de meus pais, ora eram apoiadas no protestantismo ora no catolicismo. Sendo um ou outro viés, a devoção sempre foi o prato principal lá de casa. Deus e suas manifestações, sempre representaram o prumo e a vela, da família Reis Wey.



Minha memória afetiva ainda é capaz de escutar meu pai dizendo ao longe, que viver é um eterno exercício de ajustar as velas e o prumo, para enfim navegar. Já dizia Fernando Pessoa, muito antes de meu pai, que navegar é preciso. Navegando e vivendo, que sempre é uma experiência inexorável, recebíamos em casa um universo incrivelmente eclético de amigos. De todas as raças, nacionalidades e credos; os convidados sentavam-se em torno da mesa. Enquanto nos fartávamos da boa comida, provida por minha mãe.


Nesses encontros, as mais diversas histórias enchiam de aventura e medo os nossos corações. Ouvir e imaginar tudo o que era narrado, sobre Deus, seus milagres e mistérios, foi minha primeira experiência com o que é da ordem do sobrenatural.


Deste modo, fui construindo, desde muito pequena, a ideia de que não importa a crença/ fé pessoal. Diante daquilo que é divinizado, e possa ser reconhecido como tal, todos nós, nos rendemos.


Machu Picchu, pirâmides do Egito, caminho de Santiago de Compostela, mesquita sagrada de Meca, Prambanam, Palácio Wat Phra Kaew, Angkor Wat, Templo Lingyin, mesquita Sheikh Zayed, Cristo redentor; a lista é infinita para se acessar aquilo que é da ordem do sagrado.


Narrativas incríveis, místicas, são relatadas de modo subjetivo e impactante, por viajantes que ao chegarem a determinados locais sacros encontram-se finalmente com Deus, reconhecendo-o em si mesmos. Você e eu já ouvimos e certamente, experienciamos algumas delas.


Mas o que é o sagrado em sua vida cotidiana?

Como ele se manifesta, quando se vive em uma cultura orientalizada?


É algo que se possa venerar, respeitar e que se encontra cravado em seu coração, ou está simultaneamente dentro e fora de todos nós?


O sagrado, a meu ver, é uma experiência particular e ao mesmo tempo é todo o universo, com sua complexidade e amplitude.


Cada manifestação da natureza, em meio à sua diversidade, está apinhada de sacralidade; cada gesto em que me reconheço como parte de um todo, é a sacralidade em mim.


Recentemente os tailandeses celebraram Loy Krathong. Em plena lua cheia, no 12º mês do calendário lunar tailandês, oferendas, feitas com folhas de bananeira, decoradas ricamente com flores, prometem atrair sorte e espantar a tristeza.


Não tem como não se sentir conectado com algo mágico. Ao se presenciar dezenas de krathongs iluminando as águas dos rios, somos tocados.


Esse é um momento em que os tailandeses se sentem gratos, pela deusa das águas, conhecida por Phra Mae Khongha, e por gratidão, iluminam as águas e por, consequência seus corações. E como diria Clarice Lispector


“Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento”.
 

Ana Wey, mudou-se para Bangkok com o marido e os filhos em agosto de 2019 depois de passar uns anos no Vietnã. Ana tem pós graduação em Educação Infantil e atualmente cursa MBA em Educação. Ela é especializada na alfabetização da Língua Portuguesa para crianças e adultos.

Além disso tem como paixão a culinária, a leitura e uma sede de aprender coisas novas que a faz estar sempre em busca de novos desafios.


Membro da BTCC Social desde 2020



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